
“Tal é o pano de fundo melancólico deste fim de século. Aqui estamos nós confinados a um horizonte único da História, empurrados para a uniformização do mundo e a alienação dos indivíduos à economia, condenados a retardar-lhes os efeitos sem qualquer poder sobre as causas. A História apresenta-se tanto mais soberana quanto nós acabamos de perder a ilusão de a governar. Mas, como sempre, o historiador tem de reagir contra aquilo que assume, na época em que escreve, um ar de fatalidade; está farto de saber como são efémeras estas espécies de evidências colectivas. As forças que trabalham pela universalização do mundo são tão poderosas que provocam encadeamentos de circunstâncias e de situações incompatíveis com a ideia de leis da História, por maioria de razão com a ideia de previsão possível. Cada vez menos nos cabe fazer de profetas. Compreender e explicar o passado deixou de ser coisa simples.” (Francois Furet, 116)
(Francois Furet & Ernst Nolte, Fascismo e Comunismo, Gradiva)